Foram muitos meses de trabalho até esse momento existir.
Comecei a desenhar O Coração de Pierrot entre maio e junho e, sendo bem sincera, eu nem sei apontar exatamente de onde veio a inspiração. Às vezes ela simplesmente aparece. O que eu sei é que, muito antes disso, eu já estava um pouco obcecada pela estética dos palhaços antigos. Havia imagens salvas, referências espalhadas, uma atração silenciosa por aquele universo melancólico, teatral e sensível.
Quando comecei a organizar o conceito da coleção, foi como ver um quebra-cabeça finalmente se encaixar. Aos poucos, fui entendendo que muitos sentimentos que eu carregava encontravam eco no universo do Pierrot. A melancolia suave, o romantismo exagerado, a vulnerabilidade, o drama contido. Tudo começou a fazer sentido. A coleção virou um espelho e, sem esforço, foi acontecendo de forma muito natural.
Cada peça nasceu desse processo quase intuitivo, onde eu fui refletindo emoções, fases e silêncios. Quis trazer drama, mas um drama delicado. Quis trazer romantismo, mas sem excessos óbvios. Quis que as roupas carregassem sentimento, história e presença.
Desfilar essa coleção foi surreal.
Depois de tanto tempo dedicada a cada detalhe, ver as peças ganhando vida na passarela, se movendo, respirando, ocupando espaço, foi uma das experiências mais intensas que já vivi com a moda. É impossível explicar completamente a sensação de assistir algo tão íntimo sair do papel e se tornar real, visível, compartilhável.
Saio desse desfile muito satisfeita com tudo o que construímos. Com a narrativa, com as roupas, com a atmosfera, com o caminho percorrido até aqui.
Espero, de verdade, que vocês tenham amado O Coração de Pierrot tanto quanto eu amei criar essa coleção. 🤍




