Essa coleção marca o início de um novo capítulo para a marca, uma nova página que abre espaço para outras histórias, novos símbolos e uma forma diferente de olhar para o que criamos.

E nesse capítulo, o personagem principal é o Pierrot.

O Pierrot é um personagem clássico da Commedia dell’Arte, um movimento teatral itinerante que surgiu na Itália no século XVI. Ele é o bobo apaixonado, que ama Colombina, mas nunca é correspondido. É desse amor impossível que nasce sua característica mais marcante: a melancolia.

Eu sempre gostei do fato de ele ser uma figura teatral porque isso conversa diretamente com a minha própria origem na costura. Quando eu era mais nova, participava do teatro da escola para tentar vencer a timidez e foi ali, que comecei a costurar. Havia algo de mágico em ver um pedaço de tecido ganhar vida no corpo de um personagem. De certa forma, essa sensação nunca me deixou.

E existe algo muito bonito na relação entre Pierrot e o romântico. De algum jeito, todas nós já vivemos essa história: paixões que perseguimos, sonhos que chamam de longe, metas que parecem pertencer a uma versão esquecida de nós mesmas. Em alguns momentos, até caminhamos na direção contrária, como se estivéssemos encenando o nosso próprio amor não correspondido.

É aqui que a melancolia aparece, não como tristeza, mas como um convite suave para olhar para dentro. Quando escutamos esse chamado, percebemos seu lado mais delicado: a capacidade de nos reconectar com quem fomos e com quem ainda podemos ser. Talvez a vida adulta não tenha seguido o roteiro que imaginávamos quando tínhamos treze anos, mas encontramos pequenos caminhos de volta para nós.

Nos rituais que inventamos.
Nos romances que escolhemos ler.
Na visita ao museu que adiamos por meses.
Nos hobbies que só existem para dar prazer.
Nas roupas que decidimos usar para nos sentir mais nós mesmas.

No fim das contas, a melancolia não é negativa. Ela é um lembrete gentil de que sempre existe uma forma de voltar ao nosso próprio mundo da lua..

Nas peças dessa coleção eu tentei balancear muito esses dois sentimentos (amor e melancolia), a gente vê isso no próprio contraste, o branco e o preto, para representar essa dualidade. Também trouxe muito drama nas golas, laços e botões, que fazem alusão ao figurino clássico do nosso personagem e que representam muito bem esse romantismo inocente.